Petróleo perto de US$ 100 não traz de volta o desconto extra de R$ 0,35 no diesel
O barril de petróleo voltou a flertar com os US$ 100, mas o desconto extra no diesel não volta — ao menos por agora. A equipe econômica decidiu manter suspensa a subvenção de R$ 0,35 por litro, encerrada no início de julho. A posição foi dada nesta sexta-feira pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
A leitura do governo é que a valorização internacional ainda não chegou com força ao preço da bomba. Como a estratégia oficial é de suavização, o termômetro observado é o valor final pago pelo consumidor — e não a cotação em si.
O que permanece de pé
Mesmo descartando o benefício adicional, o governo preservou outras medidas:
- R$ 1,12 por litro de subsídio ao diesel;
- R$ 0,44 por litro de subsídio à gasolina, prorrogado por mais um mês.
O custo não é pequeno. Pelas estimativas do Ministério do Planejamento, a subvenção da gasolina consome cerca de R$ 1,3 bilhão por mês, e o apoio ao diesel gira em torno de R$ 5,5 bilhões mensais.
O vaivém que explica a decisão
A retirada gradual dos subsídios começou depois do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, quando as cotações recuaram para perto dos níveis anteriores à escalada no Oriente Médio. Foi nesse intervalo de alívio que o adicional de R$ 0,35 no diesel caiu, em 1º de julho.
Com a retomada dos ataques na região, o petróleo voltou a subir — e o governo travou o cronograma de saída para não repassar o choque de imediato ao consumidor.
A conta até aqui
Até junho, foram R$ 14,55 bilhões desembolsados para amortecer a alta internacional nos preços domésticos. O dinheiro saiu por crédito extraordinário, modalidade que escapa do limite de gastos mas entra no cálculo da meta fiscal.
A divisão: R$ 7 bilhões em junho, outros R$ 7 bilhões previstos para julho — dos quais R$ 3,3 bilhões vieram de medida provisória editada na sexta-feira — e R$ 550 milhões relativos ao acordo para que os estados zerem o ICMS sobre o diesel importado, viabilizado por crédito extraordinário no fim de junho.
Onde isso aperta o Orçamento
Com parte das medidas ainda ativa, a despesa deve subir nos próximos meses. Moretti disse que o impacto entrará na próxima revisão das contas e que hoje existem quase R$ 11 bilhões de folga na meta. Se o cumprimento ficar em risco, o instrumento previsto é o contingenciamento.
Há um contrapeso do outro lado da conta: como o Brasil é exportador líquido de petróleo, vigora um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, criado para evitar que a produção seja toda direcionada ao mercado externo e para proteger o abastecimento interno.
Perguntas frequentes
O desconto de R$ 0,35 no diesel volta?
Não neste momento. O governo avalia que a alta do petróleo ainda não pressionou o preço final o suficiente para justificar a retomada.
Quais subsídios continuam valendo?
R$ 1,12 por litro no diesel e R$ 0,44 por litro na gasolina, este prorrogado por mais um mês.
Qual o custo mensal dessas medidas?
Cerca de R$ 1,3 bilhão na gasolina e aproximadamente R$ 5,5 bilhões no diesel.
Quanto já foi gasto em 2026?
R$ 14,55 bilhões até junho, por crédito extraordinário, que fica fora do limite de gastos mas conta para a meta fiscal.
Fonte: Agência Brasil, via Brasília Agora — leia a publicação original.
