“Golpe do falso suporte” dá prejuízo de R$ 9 milhões ao enganar vendedores

“Golpe do falso suporte” dá prejuízo de R$ 9 milhões ao enganar vendedores
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Uma operação policial realizada nesta quarta-feira (2/9) teve como alvo uma quadrilha suspeita de aplicar o chamado “golpe do falso suporte” em plataformas de comércio eletrônico. O grupo teria criado uma estrutura para enganar pessoas que anunciavam produtos para venda na internet, fazendo com que vendedores acreditassem estar negociando diretamente com compradores legítimos e com o próprio sistema da plataforma.

Durante a ação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Zona Leste de São Paulo. A operação contou com a participação de policiais do Distrito Federal e o apoio das forças de segurança paulistas. As diligências fazem parte de uma investigação que busca identificar todos os integrantes do grupo, além de esclarecer a dimensão do esquema criminoso.

As apurações indicam que a organização criminosa teria causado aproximadamente R$ 300 mil em prejuízos diretos às plataformas de comércio eletrônico, que precisaram ressarcir usuários afetados pelas fraudes. Além desse impacto financeiro, o levantamento realizado durante a investigação aponta que vendedores de diversas partes do país também foram vítimas do esquema.

Até o momento, foram identificadas 1.796 contas consideradas fraudulentas e relacionadas à atuação do grupo. Essas contas teriam mantido contato com 1.097 vendedores diferentes, demonstrando interesse em produtos anunciados e utilizando estratégias para convencer as vítimas de que as negociações eram verdadeiras.

Como funcionava o golpe

Segundo as informações reunidas durante a investigação, os criminosos procuravam principalmente pessoas que colocavam produtos à venda em plataformas de comércio eletrônico. Depois que os anúncios eram publicados, integrantes do grupo utilizavam contas falsas para entrar em contato com os vendedores e se apresentar como possíveis compradores interessados nos produtos oferecidos.

Após estabelecer o primeiro contato, os suspeitos iniciavam uma sequência de mensagens fraudulentas. Para dar aparência de legitimidade à negociação, eles utilizavam e-mails, WhatsApp e outros canais de comunicação para imitar o atendimento oficial da plataforma onde o produto havia sido anunciado.

Em determinado momento da fraude, os vendedores recebiam a informação falsa de que a compra havia sido concluída e que o pagamento já estaria aprovado. A estratégia tinha como objetivo fazer com que a vítima acreditasse que o dinheiro da venda seria repassado normalmente depois da entrega do produto.

Com a falsa confirmação do pagamento, os criminosos orientavam o vendedor a entregar a mercadoria a uma terceira pessoa. Em diferentes situações, o produto teria sido recolhido por motoristas de aplicativo, motoboys ou outros indivíduos indicados pelos próprios golpistas, que faziam parte da estratégia utilizada para retirar os bens das vítimas.

Em alguns casos, o golpe apresentava uma etapa adicional. Depois de convencer o vendedor de que a negociação era verdadeira, os criminosos solicitavam pagamentos referentes a supostas taxas, cauções ou valores necessários para liberar ou desbloquear o pagamento da venda. Os valores geralmente eram solicitados por meio de Pix.

O problema só era percebido posteriormente. Depois de entregar o produto ou realizar algum pagamento solicitado pelos criminosos, a vítima descobria que a negociação não havia sido registrada ou concluída de verdade na plataforma. Dessa maneira, além de perder o produto, alguns vendedores também acabavam tendo prejuízos financeiros adicionais.

Centenas de vendedores foram atingidos

O levantamento feito durante a investigação revelou a dimensão do esquema. Das contas fraudulentas identificadas, milhares de interações teriam sido realizadas com vendedores que anunciavam produtos em plataformas digitais. Entre os vendedores atingidos, 187 seriam do Distrito Federal.

As contas utilizadas pelo grupo criminoso chegaram a interagir com 1.126 anúncios diferentes. Somados, os produtos envolvidos nesses anúncios representavam aproximadamente R$ 9,8 milhões. Esse montante é considerado um prejuízo potencial relacionado aos produtos que foram alvo das abordagens fraudulentas.

Embora nem todos os anúncios tenham necessariamente resultado em uma perda financeira efetiva, o volume identificado demonstra a dimensão da operação e a quantidade de vendedores que poderiam ter sido atingidos pela estratégia utilizada pelos criminosos.

Além dos prejuízos provocados diretamente aos vendedores, as próprias plataformas de comércio eletrônico também sofreram consequências financeiras. Os valores desembolsados para ressarcir usuários prejudicados pelas fraudes chegaram a aproximadamente R$ 300 mil, segundo o levantamento realizado durante a apuração.

Investigação continua

As diligências realizadas durante a operação fazem parte de uma investigação mais ampla, que ainda busca esclarecer o funcionamento completo da organização criminosa. Os investigadores trabalham para identificar a função desempenhada por cada integrante e descobrir se havia outras pessoas envolvidas na estrutura utilizada para aplicar os golpes.

Outro ponto que passou a ser analisado é a possível existência de um esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes. A movimentação financeira realizada pelos suspeitos está sendo examinada, especialmente as transferências entre diferentes contas bancárias que podem ter sido utilizadas para receber, distribuir ou ocultar os valores obtidos ilegalmente.

A intenção é identificar quem eram os beneficiários finais dos recursos movimentados pelo grupo e verificar se outras pessoas participaram da estrutura financeira da organização. A análise das transações também pode ajudar os investigadores a estabelecer uma ligação entre os valores recebidos e os diferentes episódios de fraude.

Com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, materiais e informações que possam contribuir para a investigação foram recolhidos. O conteúdo apreendido deverá ser analisado pelas autoridades para auxiliar na identificação de novos envolvidos, na confirmação das suspeitas e na reconstrução das etapas utilizadas pela quadrilha.

As investigações continuam, e novas medidas poderão ser adotadas conforme os policiais avancem na análise dos materiais apreendidos e das informações financeiras. O objetivo é esclarecer completamente o esquema, responsabilizar os envolvidos e identificar outras possíveis vítimas do chamado “golpe do falso suporte”.

Geraldo Naves