Anvisa libera cinco novos medicamentos de semaglutida

Anvisa libera cinco novos medicamentos de semaglutida
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Novas opções após expiração de patente

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou cinco novas canetas à base de semaglutida nesta quarta-feira, ampliando as alternativas disponíveis no mercado brasileiro após o término da proteção patentária da molécula em março. Todos os medicamentos recebem indicação para o tratamento do diabetes tipo 2, com doses de até 1,34 mg/mL.

As aprovações foram concedidas para os medicamentos Semavy (Hypera Pharma), Owozy (Ávita Care), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma) e Orsema (Ranbaxy). Somadas ao Ozivy, da EMS, aprovado anteriormente em junho, totalizam seis novas semaglutidas no mercado nacional desde o fim da licença exclusiva.

Chegada às farmácias em breve

O Semavy deve ser a primeira opção a chegar às prateleiras das farmácias, em aproximadamente dois meses. O medicamento será comercializado pela marca Mantecorp, subsidiária da Hypera Pharma, através de uma parceria com a farmacêutica indiana Sun Pharma para fabricação e distribuição.

Segundo o CEO da Hypera Pharma, Breno Oliveira, a empresa já busca aprovação para dosagens mais elevadas, indicadas para casos de obesidade e sobrepeso com comorbidades associadas. Ele destaca que o segmento dos análogos de GLP-1 movimenta R$ 15,6 bilhões, com crescimento de 111% nos últimos 12 meses até maio.

Redução de preços no horizonte

Os preços já apresentaram queda de aproximadamente 60% desde a entrada de novas opções no mercado. Atualmente, a caneta de 1 mg do Ozivy é comercializada a cerca de R$ 450 por mês. A Hypera Pharma sinalizou intenção de atuar em faixas mais acessíveis, além de oferecer planos para pacientes cadastrados em seu programa.

Diferenças entre as formulações

As cinco novas aprovações referem-se a semaglutida sintética, diferente dos medicamentos originais Ozempic e Wegovy, que possuem origem biológica. Enquanto os fármacos biológicos são moléculas complexas obtidas de fluidos biológicos ou procedimentos biotecnológicos, os sintéticos são produzidos por síntese química, gerando moléculas menores e mais estáveis.

Conforme a Anvisa, 68% de todas as solicitações de registro de dispositivos injetáveis para obesidade e diabetes já protocoladas são para medicamentos sintéticos. Todos os medicamentos desta classe de análogos de GLP-1 requerem prescrição em duas vias.

Perspectivas para o SUS

Embora a aprovação pela Anvisa represente avanço importante, a incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde depende de análise de custo-benefício pelo Ministério da Saúde. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS apresentou parecer desfavorável considerando impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões.

O Ministério da Saúde, porém, anunciou projeto piloto com a Novo Nordisk para avaliar o uso da semaglutida em alguns serviços públicos. A farmacêutica dinamarquesa também apresentou novo pedido de inclusão com desconto de 59% no preço original.

Contexto das aprovações

Desde agosto do ano anterior, a Anvisa prioriza a análise de análogos de GLP-1, atendendo solicitação do Ministério da Saúde. Um edital de chamamento foi lançado, resultando em 11 das 24 medicações submetidas já tendo análise concluída. O fim da patente de medicamentos inovadores após 20 anos permitiu que novos fabricantes desenvolvessem versões competidoras, ampliando as opções de tratamento disponíveis à população.

Geraldo Naves