Cardiologista alerta: controle do colesterol deve começar aos 10 anos

Cardiologista alerta: controle do colesterol deve começar aos 10 anos
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No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, especialistas reforçam a importância da detecção precoce da doença. Um estudo publicado em setembro de 2025 recomenda que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos de idade, conforme destaca o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O cardiologista enfatiza que investir em prevenção é a melhor estratégia para evitar complicações cardiovasculares graves. A recomendação é realizar exames preventivos de colesterol junto com testes de glicose de forma rotineira.

A importância do diagnóstico precoce

Quando níveis elevados são detectados, a orientação médica é essencial. O especialista alerta contra a busca por orientações equivocadas na internet que desestimulam o uso de medicamentos. Interromper o tratamento prescrito aumenta significativamente o risco de complicações, já que o colesterol volta a subir quando a medicação é suspensa, assim como ocorre com diabetes e hipertensão.

Mudanças no estilo de vida

A redução do colesterol começa com hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em quantidades adequadas, é fundamental. Deve-se evitar o excesso de gordura saturada, presente em carne vermelha, chocolates, frios e embutidos, além da gordura trans encontrada em ultraprocessados.

Mudanças na alimentação costumam reduzir o colesterol entre 5% e 10%, pois aproximadamente 70% da substância é produzida pelo próprio organismo. A prática regular de atividade física, com 150 a 300 minutos de exercícios semanais, também é essencial. Qualidade do sono e controle do estresse influenciam diretamente o metabolismo e os níveis de colesterol.

Mitos sobre dietas restritivas

A chamada dieta carnívora, baseada exclusivamente em carne e que elimina alimentos de origem vegetal, não é indicada para reduzir o colesterol. Esse tipo de alimentação é rica em gordura saturada, que aumenta o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. Além disso, pode elevar o ácido úrico e favorecer a formação de placas nas artérias.

Quando a medicação é necessária

Quando os níveis ultrapassam 300 miligramas por decilitro, há forte indicação de origem genética. Nesses casos, além de mudanças no estilo de vida, é necessário tratamento medicamentoso com estatinas. As evidências científicas sobre os benefícios dessas medicações são consistentes há mais de três décadas, com estudos robustos comprovando redução de infarto, acidente vascular cerebral e morte por doença cardiovascular.

Atualmente existem versões genéricas das estatinas, que se tornaram mais acessíveis à população. Informações falsas divulgadas nas redes sociais sobre esses medicamentos preocupam os especialistas, pois o colesterol elevado permanece entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Hipercolesterolemia familiar

A doença genética pode provocar níveis extremamente elevados de colesterol ainda na infância. Existem casos em que crianças apresentam infarto aos 10 anos de idade. Quanto mais cedo o diagnóstico e o início do tratamento, maiores são as chances de aumentar a sobrevida desses pacientes.

Outros fatores de risco

Colesterol elevado, diabetes, tabagismo e hipertensão formam os principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral. A obesidade, crescente na população, já é considerada o quinto fator de risco, provocando um estado inflamatório crônico que favorece a instabilidade das placas de gordura nas artérias.

Geraldo Naves