Fim da corporação e Cosme e Damião: os planos dos buritizáveis para a PMDF

Fim da corporação e Cosme e Damião: os planos dos buritizáveis para a PMDF
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A segurança pública aparece como uma das principais preocupações da população do Distrito Federal e, por isso, as propostas apresentadas pelos candidatos ao Governo do Distrito Federal para a área têm diferenças importantes. Os planos de governo dos 10 candidatos apresentam medidas que vão desde o reforço do efetivo e a modernização da estrutura da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) até mudanças profundas no modelo de policiamento e, em alguns casos, a própria reformulação da instituição.

Entre as propostas estão investimentos em batalhões, viaturas e equipamentos, ampliação do uso de tecnologia, reconhecimento facial, inteligência artificial, videomonitoramento e integração entre as forças de segurança. Também aparecem medidas voltadas ao combate à violência contra a mulher, à segurança nas escolas, ao policiamento comunitário e à utilização de dados para identificar áreas com maior incidência de crimes.

As propostas, porém, não seguem uma única linha. Enquanto alguns candidatos defendem o fortalecimento da estrutura atual da Polícia Militar e o aumento de sua capacidade operacional, outros propõem mudanças no modelo de segurança pública, com maior participação das comunidades ou até a desmilitarização da corporação.

Celina Leão (PP)

A candidata Celina Leão propõe ampliar a presença da Polícia Militar nas regiões administrativas do Distrito Federal que ainda não contam com batalhões próprios. A ideia também envolve melhorar a estrutura das unidades existentes e aumentar as condições de trabalho dos policiais, com investimentos voltados à manutenção, reforma e adequação dos batalhões.

O plano também prevê melhorias na frota de viaturas e nos equipamentos utilizados pelas equipes policiais. A proposta busca ampliar a capacidade operacional da PMDF e oferecer melhores condições para que os agentes possam atuar no atendimento das ocorrências e no policiamento preventivo.

Na área educacional, Celina defende o reforço do efetivo e da capacidade operacional do Batalhão Escolar. A proposta inclui ainda a ampliação do modelo de gestão compartilhada nas escolas públicas do Distrito Federal, conhecido como modelo de escolas cívico-militares.

Outra frente destacada é o combate à violência doméstica. A candidata propõe fortalecer e integrar programas de prevenção, como o Policiamento de Prevenção à Violência Doméstica da PMDF (PROVID), aproximando o trabalho da Polícia Militar de outras forças de segurança e do sistema de Justiça.

Leandro Grass (PT)

Leandro Grass apresenta propostas com foco especial na prevenção e no atendimento de casos de violência contra as mulheres. Uma das medidas previstas é a articulação para que todas as ocorrências relacionadas à violência contra a mulher tenham uma classificação de risco realizada de forma imediata.

O candidato também propõe reforçar o policiamento em locais de grande circulação, como terminais de transporte, pontos de ônibus e trajetos considerados mais vulneráveis. A atuação seria integrada a protocolos de resposta rápida para situações de assédio, importunação e outras formas de violência.

Outra proposta é ampliar o modelo de policiamento de proximidade, baseado na ideia de que o policial que conhece as características e os problemas de determinada comunidade pode atuar de maneira mais eficiente na prevenção de crimes. A intenção é aumentar a presença policial nos territórios e, consequentemente, melhorar a sensação de segurança da população.

José Roberto Arruda (PSD)

O plano de governo de José Roberto Arruda, cuja candidatura foi rejeitada pelo TRE-DF, apresentava forte aposta na utilização de tecnologia e inteligência para o planejamento da segurança pública. Entre as medidas estava o emprego de sistemas capazes de analisar dados e auxiliar na previsão de ocorrências, permitindo antecipar possíveis problemas e direcionar o policiamento de rua.

A proposta também previa o uso de intervenções urbanas como iluminação, câmeras e sistemas de monitoramento como ferramentas de prevenção à criminalidade. O cidadão também teria participação por meio do aplicativo “GDF na Palma da Mão”, que permitiria comunicar situações consideradas sinais de violência ou riscos existentes nos espaços urbanos.

Outra frente apresentada era a ampliação do uso de dados e inteligência artificial. A intenção seria fortalecer os setores de inteligência, melhorar a prevenção de crimes e aperfeiçoar o planejamento das operações, além de estimular uma atuação mais integrada entre as diferentes forças policiais.

Paula Belmonte (PSDB)

Paula Belmonte propõe ampliar o emprego de tecnologias de identificação e cruzamento de informações para auxiliar o trabalho policial. Uma das medidas apresentadas é a utilização de reconhecimento facial associado a dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, possibilitando a identificação de pessoas procuradas e o envio de alertas para a viatura mais próxima.

A candidata também defende o uso de sistemas de inteligência para direcionar a presença da PMDF em regiões consideradas de maior risco. Entre os pontos prioritários estão os centros das regiões administrativas e áreas próximas às escolas, onde o reforço do policiamento teria caráter preventivo.

O monitoramento territorial e o cruzamento de informações também seriam utilizados para localizar com maior rapidez agressores que estejam foragidos ou descumprindo medidas protetivas. A proposta busca integrar tecnologia e atuação policial para dar respostas mais rápidas a situações de risco.

Ricardo Cappelli (PSB)

Ricardo Cappelli apresenta uma proposta voltada ao combate a diferentes modalidades de criminalidade, incluindo organizações criminosas, homicídios, roubos, furtos, receptação, tráfico de armas e drogas e crimes praticados no ambiente digital.

Para enfrentar esses problemas, o plano prevê o uso de inteligência, análise financeira e ações territoriais integradas. A estratégia busca ampliar a capacidade do poder público de identificar estruturas criminosas e compreender a movimentação financeira associada às atividades ilegais.

Outra parte da proposta prevê uma atuação conjunta da segurança pública com áreas como saúde, assistência social e Justiça. O objetivo é melhorar a avaliação de riscos, acompanhar medidas protetivas e oferecer atendimento especializado para situações consideradas de maior gravidade.

O candidato também defende a utilização de iluminação pública, videomonitoramento e novas tecnologias como instrumentos de prevenção. Segundo a proposta, esses recursos deveriam ser utilizados com base legal, supervisão humana, proteção de dados e avaliação dos resultados obtidos.

Kiko Caputo (Novo)

Kiko Caputo propõe ampliar o modelo de policiamento de proximidade, comunitário e orientado à solução de problemas. A ideia é adaptar a atuação da Polícia Militar às características e necessidades específicas de cada região administrativa do Distrito Federal.

Na área educacional, o plano prevê o fortalecimento da segurança nas escolas por meio da articulação entre a comunidade e as redes de proteção social. A proposta também inclui ações educativas e preventivas dentro das unidades da rede pública.

O candidato ainda defende maior integração entre a PMDF e as demais forças de segurança. Essa integração seria apoiada por ferramentas tecnológicas capazes de permitir o compartilhamento de informações em tempo real e a atuação conjunta nos centros de comando e controle.

Professora Samara Mineiro (UP)

Professora Samara Mineiro apresenta uma proposta que prevê mudanças mais profundas na estrutura da segurança pública. Entre as medidas está a implementação obrigatória do monitoramento das ações policiais por meio de câmeras, com o objetivo de ampliar a fiscalização sobre a atuação dos agentes e combater possíveis abusos.

Na educação, a candidata defende a retirada da Polícia Militar da gestão pedagógica e administrativa das escolas públicas. A proposta prevê, portanto, o encerramento do modelo de escolas cívico-militares.

O plano também propõe uma transição para um modelo de policiamento de ciclo completo, com carreira única e de caráter civil. A medida representa uma mudança estrutural em relação ao atual modelo de organização das forças policiais.

Elisson Ferreira (Agir)

Elisson Ferreira aposta na ampliação do uso de tecnologia para reforçar o monitoramento e a prevenção de crimes. Entre as propostas está a utilização mais ampla de sistemas de videomonitoramento inteligente e do programa DF Inteligente em locais de grande circulação.

O projeto prevê monitoramento em áreas comerciais, escolas, hospitais, terminais de transporte e outros espaços públicos. A intenção é ampliar a capacidade de acompanhamento das áreas consideradas estratégicas e facilitar a identificação de situações suspeitas.

Outra medida é aumentar o uso de sistemas de reconhecimento de placas de veículos e de monitoramento em regiões com grande movimentação. A tecnologia seria empregada como ferramenta de apoio às forças policiais.

O candidato também propõe realizar, nos primeiros 100 dias de governo, um diagnóstico completo da infraestrutura das forças de segurança. A partir desse levantamento, seriam planejadas ações para construir, reformar e modernizar os batalhões da Polícia Militar.

Expedito Mendonça (PCO)

Expedito Mendonça apresenta uma proposta completamente diferente das demais, ao defender a dissolução da Polícia Militar e de todo o aparato que considera repressivo. O plano, portanto, não prevê simplesmente o fortalecimento ou a modernização da atual estrutura da PMDF, mas uma mudança radical no modelo de segurança pública.

Entre as propostas também está a defesa do direito de autodefesa e de armamento para trabalhadores do campo e comunidades indígenas. O programa ainda prevê a formação de comitês de autodefesa envolvendo trabalhadores das cidades, do campo e comunidades indígenas.

Professor Robson (PSTU)

Professor Robson também defende mudanças profundas no modelo de segurança pública. Uma das principais propostas é a desmilitarização da Polícia Militar e a criação de uma estrutura de segurança pública que tenha controle e participação comunitária.

Na área da educação, o candidato propõe o fim da militarização das escolas e defende a ampliação e efetivação de mecanismos de gestão democrática nas unidades de ensino.

Outra medida prevista é a criação de uma divisão policial especializada na proteção de mulheres vítimas de ameaças. A proposta busca direcionar uma estrutura específica para o atendimento e a proteção de mulheres em situações de risco.

Propostas seguem linhas diferentes

Os programas apresentados pelos candidatos mostram que a segurança pública é tratada a partir de diferentes perspectivas. Parte dos concorrentes defende ampliar a estrutura existente da PMDF, investir em equipamentos, aumentar o efetivo e fortalecer a presença policial nas regiões administrativas.

Outro grupo concentra suas propostas no uso de tecnologia, inteligência artificial, reconhecimento facial, videomonitoramento, análise de dados e integração entre os órgãos de segurança. Há ainda candidatos que colocam a prevenção, o policiamento comunitário e a integração com áreas sociais como elementos centrais para reduzir a criminalidade.

Por outro lado, as propostas de Samara Mineiro, Expedito Mendonça e Professor Robson apresentam mudanças estruturais no atual modelo, envolvendo desde a retirada da Polícia Militar da administração das escolas até a desmilitarização ou dissolução da corporação.

Assim, os planos de governo apresentam visões bastante distintas sobre o futuro da segurança pública no Distrito Federal. As propostas vão desde o fortalecimento e modernização da PMDF até a reformulação completa do modelo policial, colocando nas mãos do eleitor diferentes alternativas para avaliar como cada candidatura pretende enfrentar os problemas de segurança nas regiões administrativas e no conjunto do DF.

Geraldo Naves